Hélio Rovay Junior, um amante de animais e pessoas. Casado, pai de 02 filhos, 45 anos de idade, 21 anos de profissão e 17 anos como Presidente da MEDICAO BRASIL. É cinotécnico e adestrador e atua na administração de terapia assistida por animais em várias instituições do país.

 

 

TAA – TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS

As chamadas Terapias Assistidas por Animais, (TAA), surgiram em 1792 na Inglaterra para o tratamento de doentes mentais em um asilo psiquiátrico em Londres. Desde essa época a atenção de estudiosos já se voltava para os benefícios da relação homem-animal. Essas terapias têm como objetivo a inserção do animal na vida de pacientes em tratamento para que ele se torne parte do processo de cura e melhora dos quadros de saúde dos assistidos.

A Terapia Assistida por Animais (TAA), também conhecida por pet terapia, zooterapia ou terapia facilitada por animais (GARCIA e BOTOMÉ, 2008), é uma prática realizada por profissionais da área de saúde, com o objetivo de promover o desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo e social dos pacientes (DOTTI, 2005; MORALES, 2005). Não se trata de uma prática para substituir terapias e tratamentos convencionais, mas um complemento, uma nova linha de pesquisa em atenção à diversidade, para melhorar a qualidade de vida de pessoas comumente ignoradas pela sociedade, como no caso de pacientes com deficiências físicas, sensoriais, mentais e motoras, além daqueles que se encontram nos centros penitenciários (ABELLÁN, 2009).

No Brasil, apesar dos poucos estudos realizados sobre o tema, a utilização de animais na terapia e o interesse da prática por profissionais de saúde têm aumentado, no entanto, a falta de regulamentação da prática limita a sua aplicação em alguns ambientes, como clínicas e hospitais. Sobre este assunto, o Projeto de Lei N° 4.455 de 2012 (BRASIL, 2012), dispõe sobre o uso da TAA nos hospitais públicos, conveniados e cadastrados no Sistema Único de Saúde – SUS.

A TAA tem sido eficaz para diferentes deficiências e problemas de desenvolvimento, como paralisia cerebral; desordens neurológicas, ortopédicas e posturais; comprometimentos mentais como a Síndrome de Down, ou sociais, como os distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia e psicoses; comprometimentos emocionais, deficiências visual e/ou auditiva, distúrbio de atenção, de aprendizagem, de percepção, de comunicação e de linguagem, de hiperatividade, além de problemas como insônia e estresse (DOTTI, 2005). O trabalho exige uma equipe multidisciplinar, composta por médicos veterinários, psicólogos, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, capacitados para escolher o método adequado, acompanhar as atividades e o bem-estar dos animais e dos pacientes (SAN JOAQUÍN, 2002).

Durante a TAA há produção e liberação do hormônio endorfina no corpo do paciente, o que resulta sensação de bem-estar e relaxamento, assim como diminuição na pressão arterial e no nível do hormônio cortisol (DOTTI, 2005). Os benefícios nos pacientes podem ser físicos e mentais, pela inibição da dor e estímulo à memória, assim como sociais, pela oportunidade de comunicação, sensação de segurança, socialização, motivação, aprendizagem e confiança, além de diminuir a solidão e a ansiedade; recuperar a autoestima, desenvolver sentimentos de compaixão e estimular a prática de exercícios (SAN JOAQUÍN, 2002; MORALES, 2005).

Cães são os animais mais utilizados para as práticas de TAA devido a sua sociabilidade, fácil adestramento e maior aceitação por parte das pessoas (MORALES, 2005), no entanto, diferentes espécies podem ser utilizadas, como: gatos, coelhos, tartarugas, cavalos, hamsters, golfinhos e aves, animais exóticos como iguanas e escargots (MARTINS, 2004) e animais de fazenda (BERGET e BRAASTAD, 2011).

A utilização de animais na terapia exige algumas precauções, como a prevenção da disseminação de doenças, principalmente as zoonoses, feita pelo controle periódico da saúde dos animais, realizado pelo médico veterinário; evitar agressões por mordeduras e arranhaduras promovendo programas de socialização para crianças e adultos, com a difusão de conhecimento sobre o comportamento da espécie animal que fará parte do programa; detectar possíveis alergias, fobias e aversões causadas pelo contato com animais (MORALES, 2005; ABELLÁN, 2009), o que pode culminar no afastamento do animal da terapia.

Diversos estudos evidenciam benefícios da TAA para os pacientes e a crescente motivação dos profissionais de saúde para a adoção da prática, mas cabe ressaltar que a saúde e o bem-estar dos animais que participam das práticas devem ser preservados, e para isso, a presença do médico veterinário na equipe torna-se fundamental, assim como a regulamentação da prática.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABELLÁN, R.M. Atención a la diversidade y terapia assistida por animales. Revista Educación Inclusiva, v.2, n.3, p.111-133, 2009.

BERGET, B.; BRAASTAD, B.O. Animal-assisted therapy with farm animals for persons with psychiatric disorders. Annali dell´Istituto Superiore di Sanità, v.47, n.4, p.384-390, 2011.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei N° 4.455 de 2012. Dispõe sobre o uso da Terapia Assistida por Animais (TAA) nos hospitais públicos, conveniados e cadastrados no Sistema Único de Saúde – SUS. 2012. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=0F2E6AEB58C34 3DCDF84E6F195BD5852.node2?codteor=1030955&filename=Avulso+-PL+4455/2012>. 2012. Acesso em: 02/07/2017.

DOTTI, J. Terapia & Animais. São Paulo: Noética, 2005. 294p.

GARCIA, M.P.; BOTOMÉ, S.P. Da domesticação à terapia: o uso de animais para fins terapêuticos. Interação em Psicologia, v.12, n.1, p.165-167, 2008.

MARTINS, M.F. Zooterapia ou Terapia Assistida por Animais (TAA). Revista Nosso Clínico, v.40, p.24-26, 2004.

MORALES, L.J. Visita terapéutica de mascotas em hospitales. Revista Chilena Infectología, v.22, n.3, p.257-263, 2005.

SAN JOAQUÍN, M.P.Z. Terapia asistida por animales de compañía. Bienestar para el ser humano. Temas de Hoy, p.143-149, 2002.